O conceito de "desenvolvimento
vocacional" é concebido como um processo de construção, um movimento de
interação, de dinamismo entre o indivíduo e os diferentes contextos em que ele
está inserido.
Esses contextos são a família, a escola, a
comunidade e, em nível mais abstratos, as políticas econômicas e educativas.
Há influência do indivíduo nos contextos de que faz
parte, desempenhando um papel ativo em seu próprio desenvolvimento. Dentro
desta perspectiva, observa-se o significado atribuído aos fatores
socioculturais e relacionais na compreensão do desenvolvimento vocacional.
A família é o contexto mais próximo, e ocupa o
lugar de mediadora entre o indivíduo e os outros contextos com que ele se
relaciona, possuindo um fator de grande importância no desenvolvimento da
identidade.
Há um interesse particular em entender como a
família oferece suporte ao processo de construção da identidade na
adolescência, pois, segundo Erikson (1968 cit. in Araújo, 2008), é no período
da adolescência que se consolida o sentimento de identidade.
Erikson compreende que no processo de definição da
identidade psicossocial do adolescente ele se preocupa em definir uma
profissão, ou seja, o desenvolvimento do projeto educacional está em
construção.
"E a família constitui o primeiro ecossistema
relacional do indivíduo, a sua influência na construção dos projetos
vocacionais é indiscutível." (Araújo, 2008)
Em estudo sobre a condição socioeconômica dos pais,
há uma relação positiva entre o nível de escolaridade deles, seu status
profissional e o rendimento familiar em relação ao status profissional e nível
educacional aspirados pelo filho.
Em outro estudo, foram abordadas variáveis como as
expectativas de sucesso, envolvimento na escola e o encorajamento cultural dos
pais em relação às experiências de exploração e compromissos vocacionais dos
filhos. É importante observar de que maneira essa influência ocorre, para
percebermos as diferenças do suporte parental em função do conjunto de
variáveis, tais como o gênero, a situação familiar, a condição socioeconômica
da família e o nível de escolaridade dos pais.
Os resultados obtidos confirmaram que existe uma
influência siginificativa das expectativas de sucesso, envolvimento na escola e
encorajamento cultural dos pais em relação às experiências de exploração e
compromissos vocacionais dos filhos.
Em relação ao gênero, nos adolescentes do sexo
masculino houve valores mais expressivos da dimensão relativa às expectativas
de sucesso. Nas adolescentes do sexo feminino houve maior envolvimento na
escola.
Na estrutura familiar, em famílias intactas,
formadas por pai, mãe e filhos, houve maior encorajamento cultural dos filhos.
Quanto à condição socioeconômica dos pais, quando
se apresentava elevada, obteve-se um aumento nas variáveis relativas à
expectativa de sucesso e ao encorajamento cultural dos filhos.
Finalmente, no que se refere ao nível de
escolaridade do pai, quanto mais alto ele for, maiores serão as expectativas de
sucesso e encorajamento cultural. Em relação à mãe, quanto mais elevado o
nível, maior o encorajamento cultural.
Constatou-se que as variáveis familiares
influenciam diretamente o desenvolvimento da identidade vocacional dos
adolescentes nos processos de compromisso e exploração, e também através de
suas características objetivas e subjetivas, que podem favorecer ou condicionar
os projetos vocacionais dos adolescentes.
Com o resultado deste estudo, Psicólogos Escolares
propõem um trabalho com os pais para os tornarem mais competentes para intervir
ativamente no desenvolvimento vocacional de seus filhos, ou, ainda, um programa
conjunto entre pais e filhos visando a promoção do desenvolvimento vocacional.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
• Araújo, N.L.L. (2008). Suporte parental e
Projetos vocacionais em adolescentes. IV
Conferência Desenvolvimento Vocacional/ I Virtual:
Investigação e Ensino, 27-29.
• Borges, G.F. (2001). As variáveis familiares do
desenvolvimento vocacional: Parentes
pobres ou ricos? Psychologica (n. extra série de
homenagem ao Prof. Dr. Manuel Veigas
Abreu), 263-271.
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• Pinto, H.R. & Soares, M.C. (2001). Influência
parental na carreira: Evolução de
perspectivas na teoria, na investigação e na
prática. Psychologica,
26, 135-149.
• Publication
manual Washington, D.C. of the American Psychological Association. Fifth Edition.

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